quarta-feira, 22 de abril de 2009

UMA PREGUIÇA BEM ORIENTADA


UMA PREGUIÇA BEM ORIENTADA
SÓ AJUDA À CAMINHADA !!!

Em primeiro lugar esclareço que o que entendo por preguiça é a atitude de fundo de quem evita todo e qualquer esforço supérfluo.
Não me parece que deixar para logo qualquer coisa que deva ser feita agora seja uma questão de preguiça: isto não é senão protelar uma situação não evitando coisíssima nenhuma.
Por outro lado, o fazer um esforço maior agora para evitar um futuro acumular de esforços, já será um fruto dessa tal preguiça como atitude de fundo. Mas se eu evito um esforço agora e daí resulta mais canseira a longo prazo, isto não é preguiça e sim estupidez!
Posto isto:
Acho que este tipo de preguiça deve ser fomentado e encorajado, pois que tendo o ser humano uma energia limitada, não a deve desperdiçar com coisas das quais não se obtêm frutos ou em devaneios sem interesse, mas aplicá-la na obtenção daquilo que pretende da vida.
Assim o bom preguiçoso deve começar por eleger um objectivo principal e depois ordenar a sua vida nesse sentido como forma de poupar energia.
Será como escolher percurso de uma viagem: se o objectivo é ir a Braga mas gosto em ver lindas paisagens, saio de casa em direcção a Braga, podendo eventualmente escolher uma estrada que do ponto de vista paisagístico me agrade mais, mas o meu objectivo é Braga, e é lá que quero chegar a tempo… mas se vou de passeio em busca de lindas paisagens e me dá um certo jeito passar por Braga o caso será outro. No 1º caso oriento-me para Braga, tentando escolher uma estrada mais bonita… no 2º a paisagem é o mais importante, e o passar em Braga poderá ser um mero desvio da rota traçada…
O preguiçoso deve perguntar-se antes de mais: O que quero da vida?
Se sou cristã, o objectivo principal da minha vida supõe-se que seja o meu encontro com o Deus Trinitário, e sei perfeitamente que a maneira de o fazer é procurar sempre a Sua Vontade.
Quanto mais preguiçosa eu for menos coisas farei fora desta procura, pois será um gasto de energia inútil… posso ir escolhendo eventualmente a maneira de fazer essa busca, usando aquilo que me está mais a carácter…
Mas parece-me que é estúpido desgastarmo-nos com coisas sem interesse, que nos desviam deste caminho.
Da mesma maneira que a tendência natural é deixar para amanhã aquilo que poderia fazer hoje com menos esforço, também é natural fixarmo-nos em escolhas de caminhos, e de maneiras de fazer, que só atrapalham.
É natural preocuparmo-nos mais com as formas do que com o conteúdo. Preocupamo-nos tentando copiar um modelo de vida que temos no miolo como fantástico (ao qual com mais ou menos jogos de cintura vamos tentando ajeitar a nossa vida) em vez de irmos descobrindo cada dia como viver as circunstâncias concretas que se nos apresentam…
Claro que isto é uma estupidez rematada: posso gastar tanta energia, tempo e paciência em descobrir como é que eu vou entrar num modelo de vida determinado, e me vou encaixar naqueles moldes tidos como correctos (coisa que nunca conseguirei a 100%, tendo portanto 1001 desculpas para me desviar) que deixo passar a vida toda a meu lado, arranjo úlceras várias e dores de cabeça sem fim, e não saio do mesmo lugar : Preocupo-me com a maneira com os outros me vão olhar, com o que vão dizer etc.. arranjo uma fachada que me dá uma canseira manter.
Arranjo mexeriquices para me defender de possíveis ataques à identificação com a imagem que quero defender a todo o custo… se me dizem alguma coisa saio logo a campo armada até aos dentes porque “tenho que proteger o modelo que tanto trabalho me deu a construir”
Daí a pouco ponho as minhas seguranças todas na tal imagem que tenho que manter, tão cheia de medo de as perder se dou um passo fora, que já não tenho forças para me mexer do sítio – fico presa à imagem inventei.
A vida deixa de ser dinâmica para ser estática… e uma xxxxxxatice cansativa.
O verdadeiro preguiçoso sabe que Deus quer agir através dele, que Ele age efectivamente… então para quê tentar pegar nas rédeas e andar à roda à procura do caminho?
Não será muito mais fácil pôr-se simplesmente nas mãos de Deus, dispor-se a que Ele aja connosco e através de nós? “Muito ajuda quem não atrapalha”, diz o povo – não será melhor procurar simplesmente não atrapalhar a vinda do Reino?
Claro que o que eu defendo não é ficar deitado à espera que o reino chegue, mas sim em cada momento olhar à volta, e perguntar com isto que vejo à minha volta, o que queres Tu que eu faça? O que queres Tu fazer através de mim e comigo? Aceitar a Vontade de Deus para as nossas vidas, de uma forma activa, e o mais total possível…
Não me parece que seja linear não ficar a carpir as nossas misérias, mas embora seja muito agradável (senão por que o fazemos?) sentirmo-nos as pessoas mais infelizes do mundo, achando que nunca ninguém teve tanta razão para se sentir triste e infeliz como nós, isto é uma canseira, e ainda para mais uma canseira que só dá frutos podres!
Também outra grande tentação (contra a preguiça bem dirigida) é sentirmo-nos culpados de tudo o que acontece no mundo, infelicíssimos porque deveríamos ter feito mil coisas para mudar o rumo da humanidade, pondo-nos a esbracejar em mil direcções e batendo no peito com imensa compunção.
Mas acho que o que Deus me pede em primeiro lugar é que me converta a mim própria… o que exige um esforço menor, mas mais dirigido… e parece-me que o problema da humanidade é preferir desperdiçar energias com planos infindáveis de caças aos gambuzinos a gastar uma milésima parte dessa energia caçando a vareja real que lhe põe mil ovos no prato… que darão mil varejinhas para conspurcar mil pratos à volta…
Portanto: preguiçosos do mundo uni-vos e deixai de vos envolver em super activismos, mas perguntai sempre o que é que Deus vos pede hoje aqui e agora… o amanhã é uma pré-ocupação! rezai tentando unir a vossa à Sua vontade, e deixai-vos descansar na Sua Mão que é o que menos canseira dá!

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